~ Livia Cartter
Estou movimentando meu corpo de um lado para o outro, sentindo suor escorrer por todo o meu corpo.
Eu sempre tive que seguir regras, as quais eu não sinto nenhum pouco de vontade de seguir.
Meus pais sempre ditaram o que eu devo ou não fazer, o que eu devo ou não vestir e como eu devo me comporta...Mas sinceramente? Eu me cansei disso, eu já posso decidir as coisas por mim só.
Pego mais um copo com um líquido azul, por nome de Curaçau Blue, e viro-o todo em minha boca. Sinto uma ardência mas não me importo, minha intenção é curtir.
Vejo Carina dançando com um homem muito bonito, a dança é muito sensual, isso me incomoda um pouco, já que eu nunca estive em um lugar assim, e particularmente, nunca vi algo assim pessoalmente.
tenho vinte anos mas sou proibida de fazer tudo o que as pessoas normais fazem... Um mulher de mafioso tem que ser virgem e submissa a ele - isso é o que foi dito para mim, desde da minha infância.
Por fim, tento sair do meio da multidão que está aglomerada na pista de dança, mas sinto tudo gira e minha pernas fraquejar. Me apoio em um lugar e tento regularizar minha respiração, não me sinto tão bem.
__ Oi gatinha - Ouço uma voz atrás de mim - O que acha de curtimos uma noite juntos?
Balanço a cabeça em negação sem me vira para ele, estou muito mal para fazer algum movimento físico.
Para que eu fui beber tantas bebidas?
__ Eu acho que você quer sim - Ele coloca suas mãos em meu quadril. Tento me livrar porém ele acaba me apertando mais - Você não tem noção do quanto você está me deixando de pau duro.
Ouvir sua voz e sentir suas mãos em mim, está me causando medo é repugnância. Tento me solta virando me de frente para ele, mas vejo que isso foi a pior escolha.
Vejo seu sorriso se alargar é sua boca vem de encontro a minha. Por instinto acabo fechando minha boca enquanto ele tenta enfiar sua língua dentro da minha boca.
Começo a bater nele mas é em vão, ele não para de tentar me beijar. Minha cabeça começa a latejar mais, e meu estômago começa a revirar, sinto que não vou aguentar muito tempo.
Respiro fundo e tento o máximo possível sair disso, sinto o medo percorrer por todo o meu corpo, como irei sair dessa?
__ Vai gatinha, deixa eu provar dessa boquinha gostosa - Diz me apertando mais contra si.
__ Se você não soltar ela agora, a única coisa que você irá aprova serão seus membros sendo amputados - Ouço uma voz.
__ Tá achando que eu vou ter medo de um trouxa como você? - O homem que me agarra da um sorriso.
__ Se eu fosse você teria - Diz e logo sinto meu corpo sendo jogado ao chão. Sinto meu corpo doer mais do que estava.
Olho para cima e vejo Louis batendo no homem que tentou me estuprar. Eu não entendo o porquê de mais ninguém ter vindo me ajudar, sendo que estou em um lugar tão cheio de gente.
__ Vem - Louis me pega pelos braços e me arrasta para fora da balada.
Ele me coloca dentro do carro e entra batendo a porta. Me encolho no banco e tento achar formas de explicar para o meu futuro marido o motivo de eu está numa balada com vários caras de esfregando em mim.
__ Tá bravo? - Ouso perguntar mas sinto que vou me arrepender.
Louis não me responde, somente me olha com um olhar feroz, acho que isso responde a minha pergunta.
__ Acho que não estou bem - Digo sentindo meu estômago voltar a embrulhar - Acho que vou vomitar.
Sinto minhas forças irem tudo com os vômitos. Tudo em minha volta gira e começa a escurecer.
Eu prometo nunca mais beber!
[....]
Acordo sentindo uma forte dor em minha, tento me recordar do que aconteceu ontem, mas são vagas memórias que eu tenho.
Olho para lados e vejo que não estou em meu quarto, sinto que minha respiração vai falhar, eu não poderia ter dormido com um desconhecido.
Levanto-me rapidamente da cama e me arrependo por isso, já que sinto mais dor de cabeça ainda. Começo a caminha de um lado para o outro tentando me acalma e pensando em como fugir daqui.
__ Eu não posso ter perdido minha virgindade - Digo tentando me acalmar - Eu vou morrer!
Paro de caminhar e olho para a escrivaninha do lado da cama. Nele contém um copo de água e um remédio para dor, eu os pegos e tomo. Olho uma carta que está na mesa e leio.
Espero que tenha acordado melhor, mas como eu sei que não acordara, deixei esse remédio para você. Tome um banho e vista uma roupa que pedi para deixar na poltrona ao lado. Assim que acabar me encontre no meu escritório, precisamente conversar!
- Louis
Acabo de ler e sinto uma alívio percorrer pelo meu corpo, o que eu menos preciso agora é ter uma sentencia de morte.
Pego a roupa e vou até o banheiro e tomo um banho. Nunca estive na casa de Louis, na verdade eu nunca tive um contato tão próximo à ele, eu sempre o via em revistas ou em fotos que meus pais me mostravam, mas nada tão específico, eu não queria que a primeira vez fosse assim.
Dou um longo suspiro e bato na porta do seu escritório, ouço sua voz dizendo " entra", abro a porta e entro. Seus olhos estão concentrado em seu computador, sinto que o que ele irá falar não será bom, aliás, a primeira vez que meu deixa eu escolher o que fazer, eu já faço uma grande burrada.
__ Oi - Digo, aliás é a única coisa que consigo dizer.
Louis tira seus olhos do computador e me olha e logo aponta para a cadeira a frente.
__ Como está se sentindo? - Ele arqueia uma de suas sobrancelhas.
__ Estou melhor, obrigada por perguntar - Digo tentando parecer o mais calma possível.
__ Vou ser bem direto, Lívia - Diz e sua posição fica completamente ereta. Sinto meu coração acelerar, eu sei que se algo acabar com o acordo, meu pai irá me matar - Eu estou a procura de uma mulher que seja boa para a máfia, mas o depois do que eu vi ontem, bom... acho que você não foi minha melhor escolha.
Sinto minha respiração falhar, esse acordo é algo que meu pai anseia muito, e se eu atrapalhar os planos do meu pai eu sei que ele não será tão amoroso assim comigo.
Eu sou filha do maior chefe da máfia do México, meu pai sempre se importou com o dinheiro e com os benefícios que um acordo de duas máfias grandes poderia-o trazer, então ele acabou me vendendo para o pai de Louis.
Não sei o que tem na cabeça deles por se importar tanto com armas, dinheiro e poder, aliás eu deveria fazer minhas escolhas, mas sou impedida disso.
As vezes sinto nojo por ter nascido num ambiente assim!
Tento de alguma forma pensa em algo para que Louis reconsidere, eu preciso que ele reconsidere.
__ Vou ligar para o seu pai e falar que eu não quero mais.
Sinto o medo do que meu pai pode fazer comigo, percorrer por todo o meu corpo.
__ Não - Grito - Por favor, não desiste. Eu... eu prometo não fazer mais isso.
Louis me olha com uma olhar que eu não consigo decifrar. Cada minuto que se passa e ele se mantém quieto me dá uma agonia, o que eu irei fazer se ele desistir?
__ Tudo bem - Ele diz por fim e eu dou um sorriso de alívio - Mas tem uma condição.
__ Condição? Como assim? Qual?
__ Você terá que vim para a minha casa morar comigo - Pausa - Preciso ter a convicção que você não irá fazer mais burradas.
Sinto meu coração acelerar e a onda de tristeza se fazer mais constante. Eu sei que de alguma forma eu teria que vim morar aqui com ele, mas não estou pronta, não ainda.
__ É isso, ou o nosso contrato acabou - se levanta - Você descidi Lívia.
Não consigo dizer nada, somente encaro meus dedos e sinto a porta atrás de mim ser aberta e logo fechada.
Não sei seria uma ótima ideia vim morar aqui tão cedo, eu nem conheço Louis e sua família. Por que tudo isso está acontecendo comigo?
[...]
Adentro a casa dos meus pais e subo as escadas evitando ouvir os sermão do senhor Cartter. Não estou com paciência para ele.
Pego duas malas grandes e começo a colocar as coisas dentro. Pego tudo o que for necessário, pois como eu trabalho ficará tudo mais fácil, pois posso comprar tudo depois.
__ Filha - Ouço a voz da minha mãe - Fiquei preocupada... onde estava?
__ Hum.. eu?
__ Sim, você - Ela me olha tão atentamente.
__ Bom, eu dormir na casa da Carina - Minto - Ficou um pouco tarde, e bem, eu não queria cortar você e o papai.
__ Entendi - Diz - Mas para que essas malas, onde você vai?
__ O Louis quer que eu more com ele - Pauso e sinto uma onda de tristeza me tomar novamente - Ele acha que assim melhor para o nosso contrato.
__ Mas já filha? - Ela diz - Olha, eu sei que isso era o que você menos desejava, mas olha, seu pai sabe o que é melhor para você...
__ O que é melhor para o bolso dele né mãe - Me altero - Se meu pai se importasse comigo, ele não teria me vendido como uma mercadoria qualquer.
__ Não fale assim do seu pai Lívia.
__ Eu falo sim mãe, sabe por que? - Grito - Porque ele só se importa com a merda do dinheiro dele, e com o poder que ele pode ter... Só isso que ele se importa.
Digo e logo sinto uma ardência em meu rosto. Coloco minha mão onde eu acabei de receber um tapada da minha mãe, sinto lágrimas escorrem em meu rosto, não acredito que ela fez isso por causa de um homem que só a humilha e a maltrata verbalmente.
__ D-desculpa filha - Ela se aproxima de mim mas eu me afasto.
__ Ainda bem que eu tô indo embora - Digo entre os dentes - Não aguento ficar num lugar onde sou tratada como um lixo.
Pego minhas malas e saio dali, andando o mais rápido que consigo, o que eu menos preciso é ficar aqui.
Entro no carro que Louis deixou disponível para mim, e vejo o rosto de preocupação do motorista, ao ver meu rosto.. ele não pergunta nada, somente me olha com um olhar de piedade.
Em alguns minutos chegamos na casa do Louis, entro dentro dela e subo as escadas correndo. Entro no quarto que eu estava hoje cedo e tranco a porta, me jogando na cama.
Sinto a raiva e a tristeza me consumir, eu não entendo o motivo de eu ser tratada tão mau na minha casa, o porquê de muitas das vezes meu pai me rebaixar por coisas tão pequenas que eu fazia, eu até mesmo me bater porque ele estava nos seus dias de raiva.
Lembro de um dia que ele chegou do galpão, onde fica toda a sua sujeira, suas drogas e armas. Meu pai estava bravo, esbanjando ódio em seu olhar, eu tentei correr, eu tentei me esconder no meu quarto, mas ele era mais forte que eu..
__ Papai não - Digo em prantos assim que o vejo tirando seu cinto - Papai, eu não fiz nada.
__ Não me chama de pai - Ele grita - Você me traz ódio, eu te odeio.
Sinto suas enormes mãos alcançar meus pescoço e me enforcando, sinto uma enorme falta de ar me consumir, e tudo em minha volta girar... ele me joga no chão e começa a me bater, sinto me fraca demais para tentar sair dessa. Fico no chão deitada sentindo a dor de cada chicotada que ele me dá, choro cada vez mais, olho para o lado e vejo minha parada ali nos olhando, ela não faz nada, somente sai e entra de novo para o seu quarto, por que ela fez isso?..
Ottavio para de me bater e me olha e da um sorriso. Ouço seus passos saírem de perto de mim, sinto um alívio por não ter ele mais ali, não sei o porquê de eu não ter tirado minha vida ainda- eu penso nisso sempre- tirar minha vida.
Tento me levantar, mas as dores em meu corpo são tanto, que fica tão difícil. Dou pequenos passos até meu quarto e o tranco, vou até o banheiro e me olho no espelho, vejo as marcas roxas por todo o meu corpo, e a marca de suas mãos em meu pescoço. Sinto repugnância, ódio de mim mesma, por me permitir sentir tal dor, eu não mereço.... Eu não mereço isso.
__ Lívia? - Louis me chama e saio dos meus pensamentos.
__ Como você entrou aqui? - Digo sentando na cama.
__ Eu sou o dono da casa, é normal eu ter a chave de todos os quartos - Diz vindo até a mim - Marcos me contou o que houve.
Dou um longo suspiro, e tento não chorar novamente, mas é tão difícil. Sorrio de lado e tento me acalmar, minha respiração está ficando cada vez mais acelerada.
__ Eu não aguento mais Louis - Digo em prantos - Eu sinto que não aguento.
Louis vem até a mim e me abraça fortemente, sinto suas mãos passar por meu cabelo, fazendo eu me sentir segura, protegida ao seu lado, nem que seja por um determinado tempo.