LOGIN
Desde os tempos mais antigos, todos nós sabíamos da existência das criaturas da noite. Em Junglet, todos sabiam que a noite o sal era primordial nas janelas e portas afinal, “espanta os demônios”, diziam eles.
Junglet era uma cidade de madeiras podres e cidadãos covardes. De dia o sherife rondava a cidade em busca dos moleques que costumavam afanar os vendedores da única e fétida feira existente na cidade. De acordo com moradores, já havia sido uma feira livre muito farta, de modo a muitas mercadorias em ótimo estado acabarem indo para o lixo pois a abundância nunca acabava.
Claro que isso é dito por cidadãos que já estão bem perto de bater as botas de tanto tédio numa cidade onde nada acontece. Pelo menos não de dia. A noite em dias onde não há lua no céu, todos fecham suas portas após o último raio de sol dar adeus ao dia que se encerrava. Um coro de janelas sendo fechadas e portas sendo trancadas podia ser ouvido por toda a avenida que moldava o centro da cidade. Os únicos que permaneciam fora da segurança frágil de seus lares de madeira eram os caçadores.
Além dos medrosos cidadãos de Junglet, também havia os corajosos caçadores do clã Clemency, onde alguns insanos, como diziam os moradores, foram reunidos para um bem comum: Acabar com a raiz de todo o mal que surgia após as seis da tarde. Dizem que a origem vem do senhor das trevas, cujo nome nunca deve ser nomeado a não ser pelas pessoas que desejem destruí-lo ou têm coragem o suficiente para enfrentar as consequências de sua blasfêmia.
Dizem que tais pessoas são amaldiçoadas pelo senhor das trevas, maldição essa que afastou todos aqueles que são importantes para eles e que também os fez esquecer quem foram essas pessoas em suas vidas. Isso quando tinham alguém importante fora do clã. Muitos dos caçadores que existem lá chegaram assim que pararam de suplicar pelo seio de suas mães ou teve esse direito tirado pelas criaturas da noite.
Graças a Trevor Hanson, o criador do clã, essas crianças hoje, homens e mulheres tiveram a chance de colocar seus novos prazeres em prática. Trevor fez questão de treinar cada um dos infantos assim que começaram a correr e falar. O prodígio deles, Erick, se tornou exímio na pontaria aos 10 anos. Hoje em dia suas balas são o terror de qualquer criatura que entre em seu caminho. Há também uma garota chamada Irma, cuja habilidade vem das facas. Irma consegue ser mais leve que uma pena. Sua especialidade vem de ver seus inimigos sangrarem aos seus pés após uma bela facada furtiva na jugular.
Dentre os caçadores havia uma em especial com um segredo que a atormentava desde que era uma criança. O comandante do clã adotou a jovem quando estava na casa dos cinco anos. Depois de matar a sangue frio seus pais num castelo antigo a leste de Junglet. Hanson omitiu de toda a organização que aquela a quem ele permaneceu o nome de batismo, Clarisse, era a primeira que não havia sido colocada em sua porta, mas sim raptada pelo homem.
Clarisse cresceu aprendendo as artes e o prazer dos extermínios das criaturas da noite, nunca sorria, por ordens de seu pai, também nunca passeava pela cidade no horário seguro. As poucas vezes em que viram a garota começaram a questionar seu tom de pele, seus olhos e mais algumas peculiaridades que ninguém mais possuía naquele lugar. Afinal não era todo dia que se via uma mulher jovem de cabelos brancos e olhos vermelhos como sangue, com uma pele tão pálida que chegavam a pensar se ela não era um tipo de ameaça infiltrada. O sherife inclusive disse que a jovem parecia muito com uma criatura que havia raptado sua mulher anos antes dela chegar a cidade.
Logo após tantos questionamentos, Trevor decidiu que era mais seguro para Clarice evitar contato com os moradores. Os únicos que podiam vê-la e que não se atreviam a questionar sua existência eram os caçadores. Quando Clarice chegou a Junglet, Erick tinha 6 anos, estava em seu terceiro ano de treinamento. Já havia construído uma amargura em seu peito pela carga intensa que era colocada sobre seu psicológico dentro daqueles salões que Trevor havia modificado para que fosse mais fácil escolher quem tinha a coragem necessária para permanecer com ele, ou quem era fraco o bastante para ir embora (Se sobrevivesse claro.).
Erick ficou responsável por treinar Clarice, no primeiro ano a garota tinha habilidades superiores as do garoto mesmo sem nunca ter treinado pelos métodos de Hanson antes. Erick tornou-a sua rival. Desde então eles treinaram todos os dias. O menino tentava constantemente cansar sua inimiga mas ele sempre cansava antes por mais resistente que fosse. O fato de Clarice nunca cansar ou conseguir ter habilidades tão boas quanto as dele sendo tão jovem o fez pensar no que ela havia feito antes de chegar ao clã.
Antes da garota, Hanson tratava Erick como se fosse seu filho de sangue. Apesar de ser cruel nos treinos, o chefe do clã sempre demonstrava muito orgulho do garoto pelo seu alto grau de sucesso nos treinos por mais pesados que fossem, mas depois que Clarice se juntou ao clã, o menino foi colocado de lado. Hanson só tinha olhos para a recém chegada. Isso fez um ódio crescer dentro do jovem.
Anos depois enquanto treinava com sua inimiga, Erick conseguiu atingí-la com um golpe no estômago que a fez arfar. Enquanto ela se recompunha, o jovem pôde perceber que Clarice tinha os caninos salientes e ela tentou ocultar um dos itens que compunham seu segredo assim que viu a observação do rival. Erick acusou Hanson de adotar uma criatura da noite. Ameaçou denunciá-lo para o sherife mas o próprio não tinha coragem nem de defender a cidade a noite. Suas portas inclusive eram as primeiras a se fechar no ritual noturno da cidade. Então a cria se rebelou contra o criador.
Após uma árdua batalha contra aquele que havia ensinado tudo o que o jovem sabia naquela altura. Hanson fez um trato com seu garoto. Ele não investigaria a peculiaridade de Clarice e o velho não o expulsaria do clã. Como nunca se viu fora de Clemency, Erick aceitou a proposta, mas isso não significa que a cumpriu.
Junglet e seus habitantes, fossem covardes ou corajosos, sempre escondiam algum segredo afinal. Não só Clarice, nem Hanson ou o sherife. Todos sem exceção tinham alguma interligação sombria entre seus mistérios. Havia por exemplo na parte mais fraca e fétida o dono do Saloon, conhecido intimamente por “Pontaria Alcóolica” se tornou o mestre das bebidas depois de uma noite misteriosa onde uma testemunha admite ter visto uma luz escarlate brilhar dentro do estabelecimento. Antes disso o Saloon nunca estava cheio, era um local pútrido, caído e as vezes até mesmo um tanto perigoso caso você não quisesse morrer com um pedaço do teto caindo em sua cabeça.
Realmente era muito misterioso que de um dia para o outro, se tornasse a construção mais firme e segura da cidade. Sem falar no entretenimento, regado a damas do prazer, música e o melhor de tudo: A madame do tapa olho. Um nome bem sugestivo. Senhora Carmelia era uma mulher de longos cabelos negros e um olho coberto por um tapa olho. Tinha a pele macia e mais desejada de todos os frequentadores do Saloon de Junglet. Era a pianista do Saloon mas por muitas vezes recebia propostas para ser uma das damas quando um cliente rico raramente fazia estadia na cidade. Junglet ainda há muito a ser explorada pelos olhos curiosos de quem a descobre. Descobriremos mais sobre ela e sobre a enigmática Clarisse no decorrer deste legado.
A exaustão do combate fez Clarice adormecer em cima de um fardo de feno. Quando a jovem acordou estava ao seu lado um corpo sangrando mas não era do lobo que ela havia atingido na noite anterior e sim de um homem. Era alto, moreno, a pele suada pela febre provocada pelo ferimento. Balbuciava algo incompreensível. Estava nu e tinha sangue seco ao redor. A jovem segurou um grito com a boca e tentou se recompor respirando fundo e analisando a situação. Afinal lobisomens eram homens amaldiçoados pelo Lorde das trevas.
Noites de lua cheia sempre traziam um conforto aos caçadores. A cidade pelo contrário estava sempre apavorada nesses dias. Uma neblina densa invadia as ruas, becos e estábulos de Junglet. Naquele dia em especial passos pesados acompanharam esta mesma neblina. O clã estava preparado para atacar se fosse necessário.
Desde os tempos mais antigos, todos nós sabíamos da existência das criaturas da noite. Em Junglet, todos sabiam que a noite o sal era primordial nas janelas e portas afinal, “espanta os demônios”, diziam eles.Junglet era uma cidade de madeiras podres